Operação multimodal

14/06/2018 às 2:11 - Atualizado em 28/11/2018 às 3:39

TRENS, BARCOS E CAMINHÕES

Operação entre o porto de Santos e interior de São Paulo registra 10% de economia desde o inicio das operações, mas pode chegar aos 40%

Não é de hoje que os especialistas indicam a multimodalidade como o remédio para todos os males do transporte de cargas, especialmente quando se tem em mente a movimentação de grandes cargas, a racionalização das operações e a economia de custos dos serviços.

Um dos exemplos desse conceito é a Contrail Logística, empresa que opera o Tiju – Terminal Intermodal de Jundiaí, que apresenta ganhos logísticos relevantes para as empresas daquela região do Estado de São Paulo. Tais vantagens já chegam a até 10% nos custos de transporte entre o porto de Santos e indústrias do entorno do terminal após apenas três meses de operação da linha.

Num dos casos, a Amcor, fabricante de garrafas PET para bebidas, apresenta um circuito que tem inicio em Manaus, onde o produto semimanufaturado é embarcado em contêineres para o porto de Santos. São tubos plásticos de cerca de 15 cm que, sob pressão, transformam-se nas garrafas que todos conhecemos.

Via cabotagem, então, seguem milhares de tubos por navegação de cabotagem. De Santos, os contêineres seguem via ferrovia para o terminal da Contrail, de onde são retirados pela Amcor, de acordo com sua demanda, caminhões levam o produto para o processamento final.

Com os olhos no futuro do transporte, a Contrail Logística nasceu há 8 anos de uma parceira entre a Estação da Luz Participações e a MRS Logística, tendo como foco a transferência de contêineres como meio de transporte mais eficiente, rápido, seguro e econômico.

“O transporte de contêineres tem um grande futuro no Brasil, porque essa modalidade ainda representa apenas de 3 a 4% do volume de cargas movimentadas no país”, diz Rodrigo Paixão, CEO da Contrail Logística. Ou seja, o potencial de crescimento é muito grande no país.

“São vários aspectos que mostram esse sistema como uma solução racional para as empresas, entre eles a segurança operacional, a rapidez do desembaraço das cargas no porto e a fuga das filas, um dos maiores problemas operacionais naquele embarcadouro”, diz ele. Ao utilizar o contêiner como meio de transporte, as cargas entram ou saem rapidamente.

O executivo lembra ainda que a ferrovia quebra os problemas, ou esquemas presentes no porto e seu sistema de informação. “A ferrovia tem índices de roubo praticamente nulos “, diz Rodrigo Carneiro, gerente Comercial da MRS. Apesar disso, os vagões porta contêineres têm instaladas as paredes de proteção de aço, além disso, os contêineres são colocados porta com porta, para eliminar qualquer possibilidade de acesso.

Os trens tipos têm 21 vagões que carregam 42 contêineres no total. O número de 21 vagões foi fixado pelas restrições impostas pela CPTU, cujas composições de passageiros têm total preferência na via. A capacidade de movimentação do terminal de Jundiaí é 70 mil contêineres/ano.

O modelo logístico da empresa contempla a implantação do primeiro hub intermodal do Brasil, o TIPS – Terminal Intermodal Porto de Santos, localizado no maior pátio ferroviário de Santos em local estratégico entre os terminais marítimos da Margem Esquerda (Guarujá) e Direita (Santos).

A área total do TIPs chegará a 300 mil m² e a capacidade de movimentação alcançará 1,2 milhão de TEUs (contêineres de 20 pés), o que o fará o maior terminal do gênero no país. A ideia é a de utilizar vagões Double Stack, vagões de dois andares.

Outra vantagem essencial é que a internação ou expedição de vagões no porto ocorre com hora marcada. Ou seja, os usuários do sistema podem confiar no sistema. “Um componente importante do nosso serviço é a confiabilidade – diz Rodrigo Paixão -, pois temos horário certo para chegar e para sair do porto.”

Por essas e outras, com três meses de operação o Tiju já é um grande sucesso. O movimento está 50% maior do que o estimado no projeto, consequência de não haver conflito no porto. Já são 1.000 contêineres operando por mês no porta-porto.

Graças também a grande segurança que o modal oferece o percurso porta-porto ou vice-versa mostra um número excepcional: registra 100% de cargas de retorno, um chamariz e tanto para os fabricantes de eletrônicos, para os quais a competitividade da modalidade é impar, pelo custo muito mais baixo do seguro. Resumindo: nenhum roubo de carga desde 2014 e participação de 40% em itens de bens de consumo e eletrônicos.

No caso da Amcor, o percurso soma 300 quilômetros entre a fábrica e o terminal de Cubatão, SP, junto ao porto. “Contar com um terminal em Jundiaí nos permite levar a carga para a nossa fábrica quase como um Just-in-time”, diz satisfeita Sonia Pedroni, diretora de SupplyChain da Amcor.

A operação multimodal, para ela, permitiu muitos ganhos. “Se considerarmos o custo de combustível no transporte rodoviário, mais pedágios e manutenções, a ferrovia em muito mais barata”, contabiliza. Segundo Sonia, alem de encontrar uma oportunidade de redução de custo no trecho de Santos a Jundiaí da ordem de 10%, e que poderá chegar a 40% quando a operação estiver estabilizada. “Estamos procurando outras sinergias”, adianta.