Caminhões Semiautônomos Actros dão os primeiros passos rumo ao Futuro

27/07/2016 às 11:06 - Atualizado em 22/09/2016 às 4:10

Caminhões Semiautônomos Actros dão os primeiros passos rumo ao Futuro

Os caminhões semiautônomos Actros dão os primeiros passos rumo ao futuro do transporte rodoviário, que deverá ser quatro vezes mais eficiente 

Matéria da Revista Edição nº128, no ano de 2016

Os usuários da autobahn A52 no noroeste da Alemanha, nas cercanias de Düsseldorf, já parecem estar acostumados com um comboio formado por três cavalos-mecânicos Mercedes-Benz Actros, que trafegam em testes pelas suas faixas. Tanto assim que veículos normais se intrometem sem hesitar entre os caminhões do corso.

O detalhe central é que se trata de um comboio semi autônomo, uma pequena mostra do que deverá ser algo corriqueiro nas estradas daqui a poucos anos. Por quê? Estamos entrando em um novo ciclo dos meios de transporte com mudanças radicais a caminho. (veja box)

A médio prazo, a intenção é proporcionar o máximo de eficiência ao transportador, pois o próprio comboio serve para baixar o Cx dos caminhões subseqüentes e, portanto, proporcionar economia de consumo de combustível. O carro “mãe” do comboio, o primeiro óbvio, registra uma economia de 2%, enquanto o segundo é 11% mais econômico e o terceiro 9%, em razão do aumento da turbulência em relação ao segundo. Em média, a economia é de 7%, embora possa chegar até 15% em situações especiais.

O dr. Wolfgang Bernhard, membro do Conselho de Administração da Daimler AG, enfatiza a necessidade de ganhar eficiência nos próximos anos: “Até 2050 o volume de transporte de carga vai triplicar – assegura ele -, e precisamos elevar a produtividade dos caminhões obrigatoriamente.”

Hoje, os caminhões europeus, e decerto os da maioria dos outros continentes, passam apenas um terço da vida na estrada e os restantes dois terços parado, em operações de carregamento ou descarregamento. Pior ainda, quando em viagem, trafegam vazios ou com baixa carga.Ou seja, algo precisa mudar. Segundo Bernhard, a Alemanha registrou 1,1 milhão de quilômetros de congestionamentos em 2015 e a eficiência de carregamento da frota não foi além dos 18,5%. Motivos? Falta de informação em tempo real, os tempos de espera para operações são exagerados, paradas de manutenção muito longas etc etc.

Até meados deste século cerca de 1,5 bilhão de coisas estarão inseridas na internet, o que exigirá que a eficácia energética do segmento de transporte rodoviário de carga salte dos 18% para além de 85%.

A conectividade pode ajudar muito. Ele enumera várias soluções possíveis com o novo conceito. Documentos de viagem antecipados para facilitar liberação em fronteiras, confirmação de entrega ou coleta sem papel, manutenção monitorada, retardada (preditiva) ou antecipada; roteirização, localização de área de descanso e vaga, reserva de alimentação, eliminação de avarias e seu conserto remoto com operação 24 horas etc.

Enfim, Bernhard antecipa o “paraíso” para qualquer transportador do mundo: um caminhão com 100% de carga, 0% de falhas, rodando com máxima velocidade média e máxima economia de combustível. Olé! A grande utopia, que tem que ser perseguida.                      

Pesado faz 4 km/l

O executivo garante que a Daimler está criando uma nova rede de logística, muito mais eficiente, através da Internet em redes wi-fi e sua pulverização deverá ser rápida – hoje cerca de 365 mil caminhões Daimler já operam conectados via sistemas FleetBoard e Detroit Connect. São 180 mil caminhões Mercedes-Benz e 185 mil Freightliner.

Stefan Buchner, presidente mundial da Mercedes-Benz Trucks, e que já esteve por várias temporadas trabalhando na sucursal brasileira da empresa, destaca que o FleetBoard já atende a 6 mil empresas e 180 mil veículos em 40 países e que as soluções digitais podem proporcionar economias de até 15% de combustível.

“Quando o primeiro iPhone foi produzido, em 2007, nossos clientes já utilizavam o FleetBoard por sete anos”, lembra Buchner,  ele anuncia, ainda, que para continuar na vanguarda do desenvolvimento de soluções digitais, agora em primeiro de abril uma nova unidade será criada e dirigida pela Dra. Daniela Gerd Tom Markotten: a Digital Solutions & Services.    

Veículo Inteligente

O comboio semiautonomo por si só já é uma solução para a economia de combustível. Graças ao sistema de controle de proximidade ele possibilita que as composições rodem a apenas 15 metros uma da outra em vez dos 50 m que guardam entre si normalmente. A distância bem menor proporciona baixar em muito o arrasto entre elas e possibilitando a um Actros apresentar média de 4 km/l, ou 0,66 l/100 km/t considerando-se o pbt de 40 t.   

Falando-se em produtividade, o sistema de comboio – cada um com até 10 semirreboques – permite também melhor aproveitamento da estrada, pois num comboio de 3 unidades o espaço total é de 80 m contra os 150 m normais, diminuindo os congestionamentos e aumentando a velocidade média das viagens.

Além disso, a segurança operacional melhora muito acima do esperado. O HPC – Highway Pilot Connect – piloto automático rodoviário conectado, graças aos 400 sensores instalados em cada caminhão, permite um tempo de reação do veículo de 0,1 segundo, enquanto um motorista comum reage em 1,4 segundo, permitindo uma operação muito mais segura, especialmente quando se fala de colisões traseiras.

Sven Ennerst, head do Product Engineering da Daimler, observa que cada comboio pode ter até 200 metros e a segurança é garantida por canais redundantes. “O comboio reage em 2,20 metros e uma pessoa somente após 30 metros de rodagem”, diz, uma distancia e tanto numa situação de emergência.

O responsável pela área revela que o sistema é ideal para áreas de alta densidade de transito e que no futuro um protocolo do tipo deverá ser utilizado por todas as marcas indistintamente. “Estamos em contato com vários países para realizar testes com o sistema.” Por isso, autoridades estudam as repercussões de sua utilização.

O sonho, porém, está perto de se realizar. A americana Freightliner foi a primeira empresa do grupo Daimler a conseguir a autorização de circulação em rodovias de um caminhão de condução autônoma em maio de 2015, através do veículo Freightliner Inspiration Truck. Hoje, a Califórnia também aceita o sistema.

Outra vantagem do HPC é que a condução autonoma é acessível também quando o veículo não está conectado a um comboio. Cada componente da coluna é capaz de manter-se independentemente do veículo à frente, o que permite a cada um reagir a alguma interferência, como a de um automóvel que se intrometa no comboio.

Especialistas como Peter Vaughan afirmam que a eficiência 100% no transporte rodoviário de cargas depende totalmente da precisão das informações e da sua confiabilidade. Este é o quadro atual, no qual apenas 40% das encomendas são programadas.

“Com o transporte sem papel será possível a criação de bolsões de carga para aumentar o aproveitamento dos veículos”, diz ele. A viabilidade desse salto de eficiência também requererá a sintonia fina entre os protocolos V2V e V2I – veículo para veículo e veículo para infraestrutura, com dados sobre interrupção ou abertura de faixas, mapas inteligentes, pagamento eletrônico de pedágios etc.

Ou seja, o sucesso da globalização da solução requer o engajamento de todos os países em torno da padronização de obras de arte, estradas, sinalização e muito mais. Estão em desenvolvimento também sistemas como o “Flash over the air”, que através de GPS aumenta a potência dos motores em subidas e a diminui em descidas, também com o objetivo de economizar combustível.