Como explorar e otimizar a cabotagem no Brasil?

27/03/2019 às 4:41 - Atualizado em 29/03/2019 às 4:55

Com 8 mil quilômetros de costa, o Brasil possui dimensões continentais. Por isso, nada mais normal do que aplicar esforços e investimentos para utilizar esse “caminho natural” como um meio de transporte de carga. Nesse cenário, a cabotagem no Brasil deveria representar uma importante alternativa para o país.

Mas a realidade está um pouco longe desse contexto. O vice-presidente  executivo da ABAC, André Mello, lembra que, enquanto a navegação de cabotagem movimenta 11% das cargas no Brasil, esse índice chega a 50% na China. Mas como podemos reverter esse quadro e fazer da navegação de cabotagem uma alternativa interessante para o país?

Por que a cabotagem deve ser estimulada?

Independentemente do período, a cabotagem e o transporte aquaviário, em geral, andam lado a lado com o deslocamento de cargas no Brasil. Isso porque, desde a vinda da Família Real para o país, esse tipo de movimentação é realizado e possui importância.

E dentro do contexto atual, existem vários motivos para estimular esse tipo de frete. Além dos fatores lógicos, como evitar trânsitos e aliviar as estradas, esse tipo de transporte é menos poluente. Isso é, um navio emite quatro vezes menos carbono  por tonelada transportada do que um caminhão.

Além disso, a cabotagem é muito mais segura que outros tipos de frete e também necessita de muito menos investimentos, lembra André Mello. Esses dois fazem com que o transporte por meio das águas seja capaz de aliar eficiência com custo-benefício.

Outro fator é a insegurança que muitos empresários sentem com o transporte rodoviário. “Com a greve[dos caminhões], empresas que já usavam a cabotagem aumentaram os volumes transportados e quem não usava passou a usar”, lembra o presidente da Abac, Cleber Cordeiro Lucas.

Dificuldades enfrentadas pelo modal e possibilidades para melhorias

Apesar das qualidades, o transporte de cabotagem enfrenta diversos problemas, que são pontuados pela classe. A flutuação dos preços de combustível marítimo é uma das questões abordadas, explica André Mello. Segundo ele, a distribuição de recursos para o subsídio do combustível é ineficiente e prejudica determinadas formas de deslocamento.

Além disso, outras dificuldades são:

  • precariedade no acessos por terra aos portos;
  • tarifas elevadas;
  • excesso de burocracia,
  • baixa oferta de navios para o transporte de cabotagem regular.

Para reverter esse quadro, são necessários, principalmente, investimentos em navios maiores e mais robustos. Além disso, mudanças no processo são importantes para otimizar o transporte e gerar mais benefícios para o modal.

Outra questão, são as aplicações de recursos emergenciais. André Mello lembra que são necessários investimentos à longo e médio prazo, em detrimento dos imediatos e que apenas “tapam o sol com a peneira”.

Esses pedidos visam equilibrar a demanda nos diferentes modais brasileiros e oferecer aos clientes melhores experiência em ambos. Isso porque, ao escolher a logística adequada será possível obter vantagens e diferenciais únicos.

Crescimento nos últimos anos

Ao longo dos 10 últimos anos foram investidos 3,5 bilhões de reais em 21 embarcações com bandeira brasileira. Dessa forma, foi possível evoluir a cabotagem e torná-la um meio de transporte interessante para muitos empresários.

Dados da ANTAQ revelam que de houve um aumento de 229 milhões de toneladas na navegação de cabotagem realizado entre 2010 e 2018. Ou seja, entre esse período, vivenciou um aumento de 26% no modal.

Expectativas para os próximos anos

As expectativas, já confirmadas pelo presidente da Comissão de Infraestrutura da Fiec, revelam a diminuição na burocracia relacionada à cabotagem. Além disso, as promessas do ministro da Economia, Paulo Guedes, são de abertura à iniciativa privada e a privatização de portos brasileiros.

Apesar disso, por conta de todas as mudanças, é difícil prever exatamente como se sairá a cabotagem no Brasil nos próximos anos. Cabe aos interessados apenas entender e cobrar a necessidade de melhorias no setor.