Companhias aéreas low cost desembarcam no Brasil

14/04/2019 às 3:40 - Atualizado em 15/04/2019 às 3:45

As companhias aéreas low cost surgiram e se tornaram febre mundial nos últimos anos, conquistando um grande mercado e se colocando como protagonistas do transporte coletivo por meio de aviões.

Prova do sucesso é o relatório Global Airline Industry Almanac, da Amadeus, que revela uma perspectiva de crescimento até o 2013 de 11,8% para esse modelo de aviação de baixo custo.

Como consequência desse crescimento, essas empresas estão ampliando cada vez mais suas atividades. E, recentemente, algumas desembarcaram no Brasil e já foram aprovadas pela ANAC. Mas como as companhias brasileiras estão reagindo e quais os possíveis impactos da Lei Geral do Turismo, que pretende estimular ainda mais a chegada dessas empresas estrangeiras.

Cenário para a chegada de empresas aéreas no Brasil

Por conta das regulamentações e da grande burocracia, muitas companhias aéreas estrangeiras deixavam o Brasil de lado na hora de escolher novos investimentos. Porém, esse quadro está mudando desde 2017, quando a Anac aprovou uma flexibilização em suas regras para essas empresas.

Diante desse cenário, muitas delas veem no Brasil um local propício para o transporte internacional, com voos low cost. E isso se deve a diversos fatores, desde o interesse dos consumidores brasileiros até o próprio mercado brasileiro.

“Percebi que os nossos competidores no Brasil oferecem preços extremamente elevados e embutem custos de serviços que, em muitos casos, não são utilizados pela maioria”, afirma o presidente da Sky Airline, companhia aérea chilena que está chegando ao Brasil.

Mas como baratear as passagens e tornar o transporte aéreo mais viável para os brasileiros? Existem algumas características comuns entre essas empresas que proporcionam viagens com custos reduzidos. Veja algumas delas:

  • aviões com pouco tempo em solo, ou seja, com produtividade alta;
  • apenas uma classe;
  • emissão de bilhetes é somente virtual;
  • voos em horários que não são comerciais, fora do grande fluxo;
  • passagens mais baratas para quem compra com antecedência,
  • dentro dos aviões, os passageiros possuem acesso somente à água. Dessa forma, o restante é cobrado à parte e os custos gerais são reduzidos.

Mas afinal, quais companhias aéreas estão chegando ao Brasil?

Até o  momento, quatro companhias aéreas estrangeiras já demonstraram intenção real de atuar no Brasil e, algumas, até já disponibilizaram voos para o país. Veja  um pouco sobre cada uma delas:

Sky Airlines

A companhia aérea chilena, rival da Latam em seu país de origem, retornou ao Brasil após três anos e já está oferecendo viagens entre Santiago e as cidades brasileiras de São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis.

Flybondi

No mês passado, a companhia argentina Flybondi recebeu a autorização da ANAC para atuar e realizar o transporte de passageiros, de carga e mala postal em viagens internacionais envolvendo o Brasil

A empresa de voos low cost deve viabilizar sua operação em breve, para que, então, inicie a venda de passagens entre o Brasil e a Argentina.

Norwegian

Classificada pela Skytrax como a melhor companhia low cost para viagens em longa distância, a Norwegian já está oferecendo voos entre Rio de Janeiro e Londres com preços a partir de mil reais.

Avian (Avianca)

Subsidiária da Avianca, a argentina Avian já está autorizada a operar no Brasil e nos próximos dias deve oferecer passagens entre cidades argentinas e brasileiras.

Aprovação do PL 2724/15

Aprovado no Plenário da Câmara dos Deputados por 329 votos contra 44, o projeto de lei 2724/15 permite que o capital estrangeiro entre no Brasil para controlar empresas aéreas com sede no país. Dessa forma, as companhias low cost e outras poderão estabelecer sedes e atuar de forma completa no país, oferecendo também voos domésticos.

Essa notícia, em tese, tende a abrir o mercado e proporcionar transportes e deslocamentos mais acessíveis, o que pode até baratear o frete por meio do modal aéreo. Além disso, a entrada de outras empresas deve também diminuir o controle do mercado e reduzir o market share das quatro companhias brasileiras que atualmente dominam o setor: Gol (34,25%), Latam (33,26%), Azul (18,33%) e Avianca (14,16%).

Opinião das companhias aéreas brasileiras

Apesar do aumento da concorrência, o presidente da Gol, Paulo Kakinoff, conta que, caso o projeto de lei seja aprovado, as companhias estrangeiras terão que enfrentar de forma igual às brasileiras, o que seria positivo para o mercado.

“Além dos custos de combustível bem mais altos que no Exterior, elas teriam que se adequar às leis nacionais, que obrigam o pagamento de altos impostos como o ICMS sobre o querosene, algo que só é cobrado no Brasil; contratar funcionários e pilotos brasileiros… Enfim, terão que competir com as aéreas nacionais nas mesmas condições com que atuamos”, argumenta.
Resta esperar alguns meses e analisar o mercado, entendendo se a concorrência realmente é desleal ou se as companhia aéreas low cost  estrangeiras otimizam o serviço de uma forma melhor que as nacionais.