De olho no futuro

24/07/2016 às 6:06 - Atualizado em 24/07/2016 às 7:52

Montadora lança manual de informações para que cidades grandes e médias tenham conhecimento das opções para otimizar o transporte público de massa

Montadora lança manual de informações para que cidades grandes e médias tenham conhecimento das opções para otimizar o transporte público de massa

Não há dúvidas que a evolução do transporte público urbano por ônibus foi muito grande nas últimas décadas, mas a velocidade desse progresso deixa a desejar pelos mais de 5.500 municípios brasileiros. Tanto quanto a escolha do equipamento, tipo de ônibus, capacidades e rotas, a importância de preparar a cidade para o futuro é prioritária, pois tudo depende da viabilidade técnica e financeira das prefeituras em cumprir sua parte.

Foi pensando nisso que a Volvo promove uma série de seminários e work shops para gestores públicos de transporte, operadores e comunidades acadêmicas por todo o país.

“Já realizamos sete eventos entre 42 cidades selecionadas”, explica Luis Carlos Pimenta, presidente da Volvo Bus Latin America. O executivo destaca a importância de as municipalidades conhecerem a fundo os problemas que o transporte de massa mal administrado causa e as soluções possíveis às cidades para implantar sistemas que minimizam as tensões no trânsito.

Para conseguir instalar e gerenciar um sistema de sucesso é preciso reconhecer as dificuldades atuais e futuras, não só de mobilidade, mas também de capacidade, meio ambiente, o deslocamento habitacional dentro do município e o perfil da população.

A iniciativa da Volvo tem como base um guia de Mobilidade Inteligente, feito com o objetivo de auxiliar os gestores de transporte de cidades com mais de 400 mil habitantes no país. “Solucionar os problemas futuros dessas grandes cidades é menos complicado, elas podem se preparar para o futuro”, diz Pimenta.

Como exemplo ele cita o caso de Curitiba, que na época da implantação do sistema de ônibus expressos tinha apenas 600 mil habitantes, um terço da atual população. “Para resolver os problemas de uma São Paulo são outros quinhentos. É algo muito complexo.”

As novas alternativas para o transporte público rodoviário incluem desde soluções primárias, como as faixas preferenciais, exclusivas e temporais até corredores exclusivos, compartilhados ou segregados, já entrando nos conceitos de BRS e BRT, termo usado depois da inauguração do sistema Transmilenio, de Bogotá, na Colômbia.

“A publicação do guia teve como objetivo a criação de um material de referência, de leitura mais fácil que os manuais de transporte publico”, diz Pimenta. A meta é disponibilizar um “banco” de informações para os gestores, viações e profissionais, muitas vezes os secretários de transporte e até prefeitos, enfim os interessados a conhecer as alternativas possíveis de instalação.

Para o presidente da Volvo Bus só no Brasil chegam a 70 o número de cidades com populações maiores que 400 mil habitantes, que, por isso, já devem estabelecer uma espécie de “plano diretor de transportes” para escapar ao nó da mobilidade, fenômeno que já se reconhece no Brasil em cidades como São Paulo, Rio, Salvador e Recife, onde trabalhadores gastam mais que três horas diárias para ir e voltar ao local de trabalho.

Para isso, o guia coloca-se como uma referência de consulta e estudo de opções. O conteúdo da publicação apresenta os desafios urbanos atuais, suas características e os sistemas disponíveis de todos as capacidades de deslocamento, desde os metros, VLT, BRT etc.

“O grande salto do sistema BRT ocorreu mesmo em Bogotá, cuja rede tem hoje cerca de 200 quilômetros”, diz Ayrton Amaral, especialista em Mobilidade da Volvo Bus e responsável pelo PMV – Programa Mobilidade Volvo.

Optar pela troca entre um quilômetro de linha de metro por 15 km de BRT foi o pulo do galo do então prefeito de Bogotá, Enrique Penalosa, que declaradamente copiou e melhorou os sistemas brasileiros de São Paulo, Goiânia e Curitiba.

Principalmente para os países em desenvolvimento e os menos desenvolvidos a economia nos investimentos veio de encontro às necessidades e à urgência da tomada de decisão e implantação do sistema. Neste ponto, até cidades altamente desenvolvidas optaram pela alternativa, seja em razão da crise econômica, pelos prazos menores de implantação ou mesmo pela impossibilidade de instalar sistemas metroferroviários.   

Resultado, hoje já existem 168 cidades com sistemas BRT instalados em todo o mundo e a tendência é de franco crescimento. O prefeito Penalosa cunhou uma frase que muito inspirou a evolução do sistema: “Conforto não é andar sentado, é andar rápido”.

Essa afirmação ilustra bem o quanto aquela comunidade entendeu os anseios da população. O grande e inegável handicap é aumentar o dia de milhares de cidadãos em duas horas, ou praticamente dois dias ao final de cada mês.

Ayrton, ainda sobre o guia Mobilidade Inteligente, lembra que o conteúdo traz um panorama dos sistemas BRT no mundo e destaca aqueles que se transformaram em referência mundial de acordo com sua eficiência.

O panorama traz os benefícios segundo os passageiros, a sociedade, os municípios e os operadores. E mais importante ainda, com a variedade de sistemas e de diferentes necessidades, de acordo com o porte de cada município, a publicação ajuda a queimar etapas preciosas para que o polo habitacional esteja preparado para o futuro.

Enfim, o Guia Mobilidade Inteligente possibilita às autoridades e gestores maior facilidade de decisão e diminui a possibilidade de equívocos na escolha da melhor alternativa. O modelo ideal é aquele que responde mais rapidamente às necessidades dos passageiros e consumindo menos recursos na construção e operação, além de ser eficiente.

Assim, o guia compara os sistemas disponíveis por custos, prazos, flexibilidade de rotas, intervenções etc. São considerados também os veículos tracionados por outros meios, como os combustíveis alternativos até os híbridos de vários tipos e os puramente elétricos.

Para Euclides Castro, gerente Comercial de Ônibus Urbano da Volvo Bus, o guia facilitará muito a compreensão dos sistemas e das necessidades das cidades para promover uma mobilidade urbana mais humana.

“É impressionante a falta de informação que boa parte dos gestores de transporte urbano de grandes cidades brasileiras mostra”, confessa Castro. E pior, como o Brasil tem uma das maiores taxas de urbanização do muito essas cidades em poucas décadas terão dobrado de tamanho e devem se preparar para apresentar soluções viáveis.