Destaques de Peso

27/07/2016 às 8:20 - Atualizado em 27/07/2016 às 8:21

Destaques de peso

Lançamentos devem agitar o mercado no próximo ano e buscam oferecer aos empresários de transporte a máxima produtividade ao menor custo

Matéria da Revista Edição nº126, no ano de 2015

As duas grandes montadoras que participam da Fenatran 2015 vêm com lançamentos que devem causar grande impacto no mercado brasileiro de caminhões. Como as demais fabricantes do país, elas mostram veículos que proporcionam maior produtividade e, a reboque, maior rentabilidade aos transportadores, lançamentos nascidos de observações dos clientes e veículos antes apenas disponíveis através de adaptações feitas por terceiros.

A DAF vai além e inaugura um novo segmento de atuação nesta edição da Fenatran: o pesado CF 85, um veículo eclético, que abre um grande mercado para a montadora, tanto rodoviário, nos deslocamentos de curta e média distâncias, como urbano, onde o modelo transita com desenvoltura nos serviços de distribuição pesada, nos segmentos de betoneiras, caçambas, coletores de resíduos e muito mais.

A linha CF pode trabalhar como rígido ou cavalo-mecânico, adequando-se a praticamente todos os tipos de aplicações rodoviárias, urbanas e mistas. Com versões nas configurações 6×2 e 4×2, o motor Paccar MX 12,9 litros do novo caminhão DAF desenvolve potências de 360 cv e 410 cv, com torque máximo de 2000 Nm, entre 1.000 e 1.410 rpm. O engenho é governado pela transmissão ZF automatizada AS Tronic de 16 marchas.

O novo caminhão DAF conta com duas opções de cabina. Falando em cabinas, outra grande novidade da DAF é a Super Space Cab, habitáculo que disponibiliza nada menos de 2,10 m de altura interna. Considerada a mais espaçosa cabina do mercado europeu, a Space Cab tem como marca registrada os faróis de testeira. Garantem os técnicos da DAF Brasil que sua utilização no Brasil obedece a legislação e não provoca nenhum ofuscamento aos motoristas que dirigem em sentido contrário em rodovias de pista única ou não.

Já o extrapesado XF 105 – já produzido há dois anos no Brasil – vem com novas armas para conquistar a clientela. São novas configurações para moldar o cavalo-mecânico ao maior número de aplicações possíveis. O extrapesado da DAF tem motores de 410, 460 e 510 cv, com conjugados de 2.000, 2.300 e 2.500 Nm e transmissões de 12 e 16 marchas com freio motor de 285 até 435 cv. As configurações são a 6×2 e a 6×4, que habilitam o trator a tracionar até 74 t de pbtc ou bitrens ou rodotrens de nove eixos.

Para Luis Gambim, diretor Comercial da DAF Caminhões Brasil, a montadora não poderia ficar de fora de um evento como este: “A Fenatran é a principal feira do transporte rodoviário de carga e está totalmente relacionada com os negócios da DAF Caminhões”, diz. A ocasião, então, é uma grande oportunidade para fortalecer a presença da marca no país, colocando-a em evidência e intensificando o relacionamento com os empresários do segmento.        

Outra marca que fez questão de comparecer na Fenatran foi a Volvo, montadora sueca que sempre encarou a feira como uma grande oportunidade de negócio. Várias centenas de cavalos-mecânicos foram comercializados na Fenatran e outros tantos encaminhados em décadas de participação da sueca.

“Há muito tempo definimos a Fenatran como um local de vendas para empresas de todo o país, tanto é assim que por uma semana a cada dois anos toda a diretoria da Volvo se muda para São Paulo. Os resultados têm sido sempre além da expectativa”, recorda-se Bernardo Fedalto, diretor de Caminhões da Volvo.

Para ele, a montadora nunca considerou a feira como uma ação institucional, sempre preferindo utilizar esse espaço como ponto de vendas avançado, com um show room privilegiado por apresentar todos os lançamentos da marca.

Este ano então a Volvo promete arrasar, no que chamou de o maior estande de todos os tempos da Fenatran. Celebrando 300 mil caminhões e chassis de ônibus produzidos no Brasil, a empresa recheou 1.200 m² sob a redoma do Anhembi em São Paulo com uma grande variedade de seus modelos FH, FM, FMX e VM aplicáveis a todos os tipos de operações, além de outros tantos movidos com combustíveis alternativos.

O grande lançamento da Volvo na Fenatran 2015, sem dúvidas, é o cavalo-mecânico FH 6×4 com eixo de tração suspensível, um sonho de 10 entre 10 transportadores, tanto para fugir dos custos com pedágios como das despesas com quatro pneus de tração em retornos vazios.

Suspensor

“É uma solução inovadora para proporcionar menor consumo de combustível e mais conforto nas operações de transporte”, assegura Fedalto.

Um dispositivo permite ao novo FH 6×4 desativar o segundo eixo motriz e ligar o suspensor. A solução até agora inexistente permite que as rodas sejam elevadas, reduzindo o arrasto, o desgaste dos pneus e o consumo de combustível.

Álvaro Menocin, gerente de Engenharia de Vendas da Volvo América Latina, explica que a solução proporciona inúmeras vantagens como o maior conforto quando o veículo está com pouca carga e melhor manobrabilidade. O sistema permite ao motorista ter dois eixos motrizes quando totalmente carregado ou transformar o veículo num 4×2 quando necessário.

“O sistema acionado transforma o 6×4 em 4×2 e possibilita uma economia de 4% no consumo de combustível”, garante Menoncin. E isso não é pouca coisa, pois a porcentagem incide sobre até 50% do custos variáveis do caminhão, dependendo do tipo de aplicação.

Uma série de sensores combina uma série de parâmetros para acionar o suspensor de forma automática e levando em consideração o carregamento do conjunto. O ponto é o de meia carga para baixo, também automaticamente o dispositivo desconhece o levantamento do eixo a partir do comando manual da botoeira pelo motorista quando os sensores apontam que o veículo contém volume além da meia carga.

Isso ainda não é tudo: “Dirigir com o segundo eixo motriz elevado reduz o raio de giro em até 15%, desgastando menos os pneus e o sistema de suspensão”, complementa Deonir Gasperin, engenheiro de Vendas do grupo Volvo América Latina, algo extremamente desejável em manobras.

A aplicação do suspensor, portanto, é também solução para o caso de operação em espaços pequenos, abreviando o tempo de operação e elevando a produtividade. Na estrada na condição de pouca carga ou vazio ligar o sistema significa reduzir ruídos e vibrações.

Em caso de necessidade, em superfícies escorregadias, o motorista pode acionar o sistema do painel e fazer uma transferência de carga para o primeiro eixo diferencial e conseguir maior tração e minimizar os riscos de operação naquele tipo de situação.

Simples e sofisticado ao mesmo tempo, o suspensor de eixo de tração utiliza um engate estriado entre-eixos, que permite desengatar o segundo eixo e depois elevá-lo. A operação inclui dois botões no painel de instrumentos: na posição automático, o sistema eletrônico impede que o veículo trafegue com carga e o eixo elevado, ao mesmo tempo em que garante a elevação automática do último eixo quando veículo está sem carga. A elevação é de 14 centímetros, a mesma que a de um eixo suspensível de veiculo 6×2 sem carga.            

Para Fedalto,  metade das vendas da marca são para operações que em algum momento o caminhão roda com pouca ou nenhuma carga, por isso a grande importância da solução. “Temos orgulho de dizer que é uma solução que contribui para melhorar a rentabilidade do transportador brasileiro.”

A engenharia de vendas da Volvo estima que pelo menos três dos mais importantes segmentos do transporte rodoviário de cargas vão se beneficiar plenamente com o suspensor de eixo de tração: os transportadores de madeira, grãos e os madeireiros.

Além dos veículos e soluções, a Volvo também destaca o sistema de gerenciamento de frotas Dynafleet, que pode ser instalado nas linhas F e VM. Toda a comunicação é feita através de teclado sem fio, que serve também para conectar transportadora e motorista. A ênfase do momento é Driver Coaching, uma das funcionalidades do Dynafleet, seção que avalia a condução do veículo em tempo real, disponibiliza os dados de seu desempenho e dá dicas sobre como melhorar a operação.

“O Dynafleet é um dispositivo muito avançado, que permite acompanhamento em tempo real de toda a telemetria do veículo, o posicionamento e o consumo de diesel e de Arla32”, explica Deise Kindinger, responsável pela área de conectividade.