Era pós carbono

27/07/2016 às 11:11 - Atualizado em 22/09/2016 às 4:09

Caminhões mantêm distância mesmo com a interferência de terceiros

Caminhões mantêm distância mesmo com a interferência de terceiros

Matéria da Revista Edição nº128, no ano de 2016

Para parte representativa do mundo acadêmico estamos definitivamente no limiar de um novo ciclo de energia. Já passamos pelo carvão, pela era da água (máquina a vapor) e pela do petróleo, que deve dar lugar à era pós-carbono. Isso requerá uma nova plataforma tecnológica com foco na economia de energia e dando total prioridade à eficiência do processo – a busca de uma eficácia energética acima de 85%.

Essas idéias fazem parte do portfólio de Jeremy Rifkin, futurólogo e autor norteamericano dos best-sellers “O fim dos empregos” e “O século da biotecnologia’. Para o pensador, que estudou o impacto da evolução tecnológica e as mudanças com a formatação da internet das coisas, embarcamos na terceira revolução industrial, aquela que dará acesso irrestrito a todas as áreas da vida econômica. “Já se estudam até os crimes na área da cibercriminalidade e as possibilidades são imensuráveis.”

“Estamos construindo a plataforma do futuro, no qual o custo marginal será zero, será a era da economia colaborativa, compartilhada, enfim, um novo sistema econômico surgirá”, diz o escritor. Ele também deixa pistas para o futuro do transporte rodoviário, enfatizando: “A terceira revolução industrial possibilitará o acesso de tudo a todos graças ao compartilhamento.”

Na Alemanha, por exemplo, a geração de energia elétrica de fontes como a solar e eólica já representa 32% do total e o custo fixo começa a ser erradicado na área – já há uma diminuição de contratos para compra de gás da Rússia. “O sol e o vento não mandam conta”, comemora Rifkin.

Para se ter idéia, o custo para geração de 1 Mwatt por usina atômica é de US$ 78,00, enquanto o custo com a geração de energia solar e eólica não passa de US$ 0,50. O “Tudo de graça” que fala Rifkin pode ser explicado a partir do momento que todos os telhados numa cidade sejam feitos de placas foto-voltaicas, o que levará a produção a ser maior que o consumo, situação na qual toda a energia elétrica passaria a ser de gratuita.

Ensaiando os primeiros passos rumo ao futuro é que o conceito fomentou o surgimento de novos conceitos na Daimler. “A conectividade se dará em todos os segmentos e na área dos transportes teremos o ensaio do paraíso”, diz. A meta será a diluição quase total do custo marginal em torno da internet das coisas, que viabilizará uma sociedade com custo marginal zero.

Novas gerações irão compartilhar a interligação dos veículos nas estradas sem qualquer problema de operação. Com o compartilhamento total o que se espera é o fim do trafego do caminhão vazio, com a operação das composições por 24 horas, a internet logística também possibilitará a velocidade e consumo ideais, o máximo de segurança operacional e patrimonial etc.

Para Rifkin, a propriedade das coisas não mais estará em questão “hoje já é possível comprar um smartphone chinês por US$ 40,00”, ou seja, a posse das coisas não fará grande sentido num mundo de compartilhamentos, diz ele, dando muito boas-vindas ao caminhão conectado que já ganhou as estradas.