Escolar virou Segmento

24/07/2016 às 5:15 - Atualizado em 22/09/2016 às 4:22

Escola-Virou-Segmento

Mesmo amargando uma queda de vendas expressivas no segmento em geral, a Mercedes-Benz comemora crescimento substancial na sua participação, que saltou de 39% para 45,6%.

A causa de 14% no primeiro semestre ano é creditada a uma conjunção de fatores que vem se acumulando desde o período da Fenatran do ano passado, com o imbróglio quanto a liberação de recursos para o Finame, até as dificuldades preservadas para este ano, que, além do acúmulo de eventos esportivos e de festividades, somaram-se à demora no estabelecimento da autorização de transporte para o transporte rodoviário e do fato de o ano ser de eleições, o que barra qualquer tipo de licitação antes das eleições.

O resultado é um mercado recessivo para todas as montadoras e encarroçadoras brasileiras este ano com quedas diferentes, segundo a categoria do coletivo: no mercado de micro-ônibus caiu 13%, nos urbanos patinou com menos 3%, nos rodoviários despencou 26% e nos escolares decresceu 18%.

”A importância dos ônibus escolares para o mercado é tamanha, que já são considerados segmento isolado, com vendas médias de 5 mil unidades/ano!”

“A grande novidade foi a transformação dos escolares em segmento importante, apesar da queda”, comemora Walter Barbosa, diretor de Vendas e Marketing de Ônibus da Mercedes-Benz. E nada mais justo: desde 2007 os veículos escolares têm significado vendas médias de 4 a 6 mil unidades por ano. “Hoje a frota rodante de escolares já atinge 40 mil veículos.”

A queda abrupta deste ano deve-se, para ele, a um reflexo do estupendo 2013 que registrou nada menos de 10 mil unidades. Neste nicho a Mercedes só participa com o 15 t, que conquistou 737 carros no primeiro semestre, 45% do total comercializado. O OF1519, que tem capacidade para até 60 alunos, mas falta regulamentação do modelo para uso urbano.

É um dos maiores mercados mundiais. Para se ter ideia, os escolares chegam a vendas de 200 a 220 mil unidades/ano na China, 40 a 44 mil na India e a 25 mil nos Estados Unidos. Por aqui, entretanto, a queda este ano deve variar entre 5 a 10%.              

O segmento de ônibus rodoviários é o que mais padece no atual cenário. Primeiro pela indefinição das concessões das linhas interestaduais e onde a montadora detém 42% do mercado e oferece também os carros de 410 cv em versões de configuração 6×2 e 8×2.

Também não é para menos. A insegurança jurídica vem perdurando há 15 anos e só agora com as autorizações que o nível de confiança começa a se recuperar. O aumento da carga sobre o eixo traseiro de mil quilos também ajudou.

Superarticulados apresentam crescimento acima da média graças à cada vez maior instalação de BRT’s

A âncora de todo este segmento continua sendo mesmo a classe de ônibus urbanos, responsáveis por 70% das vendas de veículos rodoviários pesados de passageiros no Brasil. E neste setor a Mercedes-Benz faz bonito, sendo responsável pela comercialização de 14 mil unidades de chassis num universo de 26 mil unidades, ou seja, nada menos de 53,85% do total.

O nível de satisfação de Barbosa é exponencial especialmente pelo sucesso da montadora alemã entre os chassis pesados, território que sempre foi seara dos concorrentes. “Já temos 400 superarticulados rodando em São Paulo – diz ele -, invadindo um nicho que era totalmente dominado pelos biarculados.”

A conclusão de vários sistemas BRT e BRS pelo Brasil amplia o otimismo do executivo, pois no Rio de Janeiro já circulam cerca de 15 superarticulados e 90 articulados, enquanto Belo Horizonte deve colocar nas ruas um total de 135 superarticulados.

Walter calcula que o ano, apesar de todos os pesares, será muito bom para a montadora: “Não sairemos imunes da crise que o segmento vive, mas tenho confiança que vamos registrar uma queda de vendas de no máximo 5%, enquanto a queda do mercado em geral será de 18%”, acredita.

Se se confirmar tais previsões do diretor de Vendas e Marketing de Ônibus da Mercedes-Benz, a montadora deverá faturar valiosos pontos de mercado. Na ponta do lápis, tal vaticínio levaria a um salto de participação da montadora dos atuais 39% para nada menos de 45,6%, ou seja, um retorno aos tempos áureos da Mercedes no segmento.

Barbosa: “Escolares já têm frota de 40 mil unidades”

Quanto ao futuro, a líder na produção de chassis de ônibus no Brasil reclama da falta de foco quando se trata de alternativas para o cumprimento da meta de busca de ônibus com tração que poupe o consumo de combustíveis fósseis, leia-se CO2.