Implementos rodoviários: expectativa do setor para 2019

25/03/2019 às 9:31 - Atualizado em 26/03/2019 às 9:37

Foram quatro anos de queda ininterruptos, com muitas incertezas, um mercado escasso e poucas esperanças para os empresários. Mas, amparado pelo crescimento econômico, o setor dos implementos rodoviários parece que deu a volta por cima.

O resultado de 2018 foi extremamente positivo e, segundo a Anfir, este ano também deve representar um importante período de recuperação. Apesar disso, ainda é necessário manter a calma e pensar em um passo por vez.

Quedas sucessivas entre 2014 e 2017

Apesar da crise econômica ser constatada, de fato, apenas em 2015, o mercado dos implementos rodoviários começou a sentir a queda durante o ano de 2014. Isso porque, ao longo dos doze meses, houve um recuo de 10,22% em relação ao ano de 2013.

Essa tendência se manteve e a crise mostrou resultados ainda piores. Em 2015, o recuo foi de 44,76% em relação à 2014. Já em 2016, a queda foi de 29,8% sobre 2015. O ano de 2017 já mostrou alguns indícios de recuperação, pois o recuo foi de 2,42%, se comparado ao ano anterior.

Essas quedas resultaram em uma perda de dois terços do mercado doméstico, considerando o valor total nos períodos de 2013 e 2017. “Foram tempos muito difíceis e que estão sendo superados aos poucos, porque toda queda é rápida assim como toda retomada é lenta”, lembra o presidente da Anfir, Norberto Fabris.

Virada de jogo em 2018

Em janeiro, foram divulgados pela Anfir, os dados referentes ao ano de 2018. No período, a indústria dos implementos rodoviários teve um resultado positivo, constatado pelo crescimento de 49,1% em relação ao ano de 2017.

Em questão de números absolutos, o resultado foi de pouco mais de 90,1 mil unidades, contabilizando tanto o segmento dos leves, como o dos pesados.

Aumento maior do segmento dos pesados

Uma forte tendência vista ao longo de 2018 foi o avanço mais constante e robusto no segmento dos pesados. Esse, que inclui reboques e semirreboques, foi impulsionado pelo agronegócio e somou 44,6 mil unidades, uma variação de 79,2% em relação ao ano de 2017, que obteve 24,9 mil.

Por outro lado, o segmento dos leves teve um índice de aumento menor (28%), ao crescer de 35,5 mil unidades em 2017 para 45,5 mil em 2018.

Essa divergência, segundo Fabris, está relacionada com os fatores que influenciam o aumento de cada segmento. “A recuperação não foi uniforme porque a economia nos centros urbanos não respondeu à altura do campo”, argumenta.

Expectativas para 2019

Segundo as expectativas da Anfir, as fabricantes de implementos rodoviários devem ter um ano muito positivo em 2019. O crescimento pode atingir algo entre 10% e 15%, em relação à 2018.

E esse estímulo intenso já pode ser observado com os dados de janeiro. No mês, foi divulgado pela Anfir que as vendas superaram as 8 mil unidades, um crescimento de 50,4%, quando comparado ao mesmo período de 2018 (5,4 mil).

No caso dos segmentos, de forma independente, o setor dos pesados ainda está avançando de forma mais substancial do que os leves. Isso porque, em janeiro, o crescimento dos pesados atingiu 4,4 mil unidades, ou seja, 83,7% a mais do que em 2017, com 2,3 mil.

No segmento dos leves, o aumento foi de 2,9 para 3,6 mil, representando índice de 23,4% de aumento, uma proporção menor do que os pesados.

Apesar de todo o avanço, a Fabris ainda enxerga 2019 como um período de recuperação, “Sabemos que é um trabalho demorado, porque a indústria de implementos rodoviários depende do desempenho da economia”, comenta. Mesmo assim, já é possível manter o otimismo e esperar por dias (ainda) melhores.