Tiplam e a importância do transporte multimodal para exportações do Brasil

20/02/2019 às 1:24 - Atualizado em 20/02/2019 às 1:24

Transporte multimodal

O transporte multimodal é uma parte muito importante da logística brasileira para o deslocamento de cargas, seja para o próprio Brasil ou para o exterior. Além de tornar o processo mais simples, essa estratégia pode diminuir os custos e potencializar os lucros.

E um dos grandes exemplos brasileiros dessa ideia é o Corredor Centro-Sudeste, uma zona com as principais rotas para fretes internos e também para as exportações brasileiras, principalmente a partir do Porto de Santos e do Terminal Integrador Portuário Luiz Antonio Mesquita, o Tiplam.

Ao proporcionar um equilíbrio entre o transporte rodoviário, ferroviário, por esteira e marítimo, o corredor Centro Sudeste movimenta para o exterior cerca de 15 milhões de toneladas por ano.

Um pouco mais sobre o Corredor Centro-Sudeste

O Corredor Centro-Sudeste se tornou uma parte muito importante do transporte multimodal no Brasil. Isso se deve tanto pela quantidade de mercadorias movimentadas, como pelo valor investido em tecnologias para estratégias mais eficientes.

Nos últimos anos, essa zona, que cobre os estados de Goiás, São Paulo e Minas Gerais, além do Distrito Federal, recebeu investimentos de 4 bilhões de reais. O intuito é desenvolver ainda mais o transporte na região e propiciar uma logística mais rápida e  certeira.

Vale também ressaltar que somente em Santos, o principal porto brasileiro, foram investidos 2,7 bilhões de reais. Isso se deve a sua grande demanda, já que por meio desse terminal são exportadas grandes quantidades de commodities, que representam boa parte das vendas do país.

A mudança que o Tiplam está proporcionando ao transporte brasileiro

O Terminal Integrador Portuário Luiz Antonio Mesquita, ou simplesmente Tiplam, foi ampliado recentemente pela VLI (Valor da Logística Integrada) e possui pátios para a armazenagem de enxofre, amônia, grãos e açúcar.

Além da atuação com os produtos citados, o porto está integrado ao conceito de transporte multimodal. Prova disso é que as operações de exportação estão 100% integradas à uma ferrovia que possui 11 quilômetros internos de distância.

Essa é a característica mais evidente de Tiplam, já que um dos grandes problemas enfrentados no Porto de Santos é o trânsito durante os picos de safra. As ferrovias possibilitam uma maior organização durante os descarregamentos e o processo e menores interferências externas prejudiciais ao frete.

Para o diretor Comercial da VLI, Fabiano Lorenzi, o Porto de Tiplam é um momento histórico, tanto para a empresa como para a infraestrutura do país: “O Tiplam representa uma nova alternativa logística para o escoamento da produção agrícola do Brasil, com foco na agilidade, já que toda a cadeia está integrada à ferrovia.”

O potencial da infraestrutura de Tiplam

A infraestrutura de Tiplam foi idealizada para uma logística de transporte multimodal eficiente. Os números revelam que o descarregamento de um trem tipo de 80 vagões necessitava, antes das melhorias, de 96 à 100 horas. Porém, atualmente, esse período não costuma passar de 4 ou 5 horas.

O diretor de Portos e Terminais da VL, Gustavo Serrão, alega que cada segmento do transporte será mais efetivo. Enquanto a viagem média de soja atinge 1.200 quilômetros, a de açúcar não vai além dos 300 km, dando maior fluidez ao trecho rodoviário. “Apesar de estarmos investindo forte na via, a velocidade média na ponta aumentou entre 40 a 45%”, garante.

Por outro lado, os investimentos das ferrovias foram destinados à geometria do traçado, fator importante que deve oferecer maior segurança, mas também possibilitar que os trens atinjam uma velocidade média maior.

O impacto das melhorias no transporte do Tiplam

Em relação à agricultura, as melhorias permitiram a instalação de duas moegas capazes de deslocar cerca de 2 mil toneladas por hora, otimizando o tempo de todo o processo do transporte.

A ampliação do Porto de Tiplam permitiu uma redução do tempo de toda a operação convencional em 70%. Para que isso seja possível, diversas estratégias funcionam em conjunto com o intuito de otimizar todo o processo, tanto do ponto de vista temporal como financeiro.

Como efeito de comparação, a capacidade de Tiplam se tornou seis vezes maior após a ampliação de sua estrutura, que ocorreu em 2017. A variação de produtos transportados também aumentou: antes eram importados enxofre, fertilizantes, rocha fosfática e amônia. Atualmente também existe a exportação de soja, farelo de soja, milho e açúcar.

Um dos grandes motivos para que tudo isso se tornasse real, foi o transporte multimodal, conceito implementado na ampliação e que é um dos pilares para a economia de tempo em todo o frete, seja para a importação ou exportação.